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Análise Cineflash - Shrek Para Sempre
Último longa do ogro verde é melhor que o terceiro, mas sem o brilhantismo dos dois primeiros.
 
Autor: Leonardo Peixe 09/07/2010
 

O ogro verde mais famoso das telonas está volta. “Shrek Para Sempre” marca o final das aventuras do personagem dublado por Mike Myers (Bastardos Inglórios) iniciada em 2001. Durante todos esses anos, acompanhamos Shrek encontrar o amor, casar, conhecer a família da esposa, ter filhos e construir laços de amizades eternos. Então, o que ainda falta contar da vida deste ogro de sorte?

No quarto filme, o nosso herói está se sentindo aprisionado à rotina do casamento. Cuidar da casa e dos filhos e, em meio a isso, ser uma celebridade local está lhe privando do que ele mais adora: ser um ogro. Na festa de um ano de seus trigêmeos, Shrek acaba surtando e discute com sua esposa Fiona (Cameron Diaz).

Furioso, ele entra floresta adentro e acaba esbarrando com o ganancioso Rumpelstiltskin (Walt Dohrn). O baixinho propõe um acordo em que Shrek poderá ter um dia sem a família e os amigos por perto e fazer o que quiser. Em troca, o verdão terá que ceder um dia de sua infância. Ao assinar o contrato, ele vai parar em uma realidade em que nunca existiu, a princesa Fiona não foi salva e que Rumpel é o soberano déspota do reino de Tão Tão Distante.

O grande problema da trama é que ela recorre ao velho clichê do “e se isso tivesse acontecido” e culmina no “foi tudo irreal”. No final das contas, somente o personagem principal evolui. Burro (Eddie Murphy), o Gato de Botas (Antonio Banderas) e os outros amigos literários que brilhavam nos primeiros filmes fazem meras figurações de luxo.

As novidades ficam por conta do exército de bruxas inspiradas em “O Mágico de Oz” (1939) e da tropa de ogros que mostra que há mais seres como Shrek espalhados por aí. O vilão Rumpelstiltskin também é um dos novos personagens e talvez seja o inimigo mais ameaçador da franquia.

No primeiro longa, Lord Farquaad foi eclipsado pela porção de figuras interessantes que recheavam a história. Já no segundo capítulo, a Fada Madrinha e o Príncipe Encantado eram mais engraçados que ameaçadores. Enquanto na aventura anterior temos a volta de Encantado como antagonista principal e que não teve a força de conduzir uma trama convincente.

Apesar de ter seus momentos cômicos, Rumpel é essencialmente um mau caráter. Mentiroso, ganancioso e mesquinho, ele usurpa o que cada um tem de melhor com seus acordos desonestos. A desgraça alheia é seu trampolim para o sucesso. Enfim os roteiristas Josh Klausner e Darren Lemke marcam ponto por manterem a má índole do duende criado pelos irmãos Grimm em um conto publicado em 1812.

O longa também peca pelo excesso de inimigos. Além das bruxas e de Rumpel, há o Flautista de Hamelin, personagem folclórico que ganhou também teve um conto dos Grimm. Ele rende momentos engraçados como a hipnose dos seres através da flauta, mas é bastante subutilizado.

As excelentes referências ao mundo POP que se destacaram principalmente no primeiro e segundo filme são apenas um adereço a mais no novo longa da série. Antes havia referências a filmes como “A Pequena Sereia”, “E.T. – O Extra Terrestre” e “A Um Passo da Eternidade” e o humor politicamente incorreto embalado por “YMCA” do Village People,“Funktown” do Lipps Inc. e até mesmo “Livin’ La Vida Loca” de Rick Martin.

Agora, o ogro realmente parece que foi domesticado e toda a esculhambação com os personagens da literatura, de filmes infantis e com a cultura POP em si parece certinha demais. Transformaram Shrek em produto tipicamente para a garotada.

Ao subir os créditos, fica a sensação que tivemos um divertimento familiar, mas que parece uma realidade alternativa do próprio Shrek. O deboche da franquia foi substituído por uma postura de praxe em qualquer longa infantil. Há toda uma mensagem sobre o valor da família e da verdadeira felicidade. Mas o irônico disso tudo é que, anteriormente, mesmo o personagem não estando dentro dos padrões convencionais de um tipo heróico passava o recado à sua maneira.

Ao menos, “Shrek Para Sempre” pode se gabar de ser melhor que o filme anterior. Porém, os adultos que curtiram o ogro verde por anos vão ficar um pouco desapontados com o desfecho das suas aventuras. Com a batida história de “realidade alternativa”, parece que inclusive os produtores achavam que a história contada no quarto capítulo tinha que ser mostrada apenas com fins lucrativos...

 
 
NOTA DO CINEFLASH
 
 
FICHA TÉCNICA
Título nacional: Shrek Para Sempre
Título original: Shrek Forever After
Direção: Mike Mitchell
Roteiro: Josh Klausner e Darren Lemke
Elenco: Mike Myers, Cameron Diaz, Eddie Murphy, Antonio Banderas
Estréia: 09/06/2010
 
 
 
 
 
 

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