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Quando “Homem-Aranha” surgiu nos cinemas, o diretor Sam Raimi soube direitinho dividir o tempo de tela entre Peter Parker [o jovem que se transformaria no herói] e o personagem título. No recente O Lobisomem, a divisão entre o homem que vira fera e a tal criatura que dá nome ao filme não teve a mesma equação balanceada.
O Cabeça de Teia e o Homem de Pêlos têm algo em comum: primeiro somos apresentados à pessoa que no decorrer da história irá evoluir em uma outra personalidade. Porém, quando essa segunda persona intitula a película, significa que o público quer ver mais ela que seu alter ego.
Infelizmente, o diretor Joe Johnston (Jurassic Park 3) não entendeu a prerrogativa e preferiu dar mais importância ao ator Lawrence Talbot (vivido por Benício Del Toro) do que à figura do Lobisomem. O longa se estende ao tentar humanizar o personagem que volta ao seu antigo lar para procurar o responsável pela morte do irmão.
Alguns nativos dizem que ele foi vitima de uma criatura horrenda que ronda o local em noites de lua cheia. Outros apontam o urso criado pelos ciganos pelo assassinato. Em busca de respostas, Lawrence vai até o acampamento do povo nômade, mas acaba sendo atacado por uma espécie de homem-fera.
Sua rápida recuperação levanta a suspeita dos moradores e da polícia investigativa de Londres de que o jovem ator foi amaldiçoado e se tornará um lobisomem. Quando os sentidos de Lawrence se tornam aguçados e a lua cheia se aproxima, ele descobrirá que o legado da criatura está mais forte em sua família do que jamais imaginou.
Benício Del Toro é o tipo de ator que se caracteriza para viver um personagem. Foi assim em “Sin City”, “Che” e não é diferente em “O Lobisomem”. A elegância do andar de seu Lawrence Talbot é totalmente desconstruída quando este transforma-se na besta.
Porém, o brilho de Del Toro se ofusca quando entra em cena Anthony Hopkins. Capaz de fazer vilões inesquecíveis como o canibal Hannibal Lecter de “O Silêncio dos Inocentes”, o ator veterano demonstra que estava afim de se divertir como o pai e verdadeiro vilão da história, Sir John Talbot. A cena em que visita o filho no hospício é, de longe, uma das melhores do filme.
Já falamos dos personagens centrais. Vamos para o Lobisomem. Sim, ele é um coadjuvante de luxo. Visivelmente, a maquiagem tinha um sério problema em fechar a boca. O homem lobo aparece boa parte do tempo tentando fechá-la, mas acaba sempre aberta. Para compor o design da criatura, a produção certamente foi atrás do longa original de 1941. Os efeitos visuais para a transformação são bem feitos e Del Toro ajuda muito na atuação.
Como o filme é classificado como terror, a criatura joga tripas, sangue, braços, mãos e cabeças para todos os lados. Ponto para Johnston que, apesar de não saber criar um clima de suspense, ao menos mostrou que conduz bem cenas de ação. Como exemplo, pegue a fuga do Lobisomem do hospício ou a primeira aparição de Lawrence como o bicho.
No final das contas, o longa não dá medo. O diretor apela para o som para assustar o espectador. Porém, não chega a ser ruim e diverte em alguns momentos. Hopkins mostra que sua presença em cena assusta até mesmo uma criatura com a força do Lobisomem. Benício não faz a melhor atuação de sua carreira, mas compõe um excelente Lawrence Talbot.
Com isso, os coadjuvantes Hugo Weaving (o agente Smith de “Matrix”), como o inspetor Abberline [que existiu na vida real e investigou o caso do Jack, o Estripador], Emily Blunt (O Diabo Veste Prada) e o próprio lobisomem se espremem para aparecer.
Quanto ao diretor Joe Johnston, é bom que ele aprenda com o seu colega de profissão Sam Raimi a equalizar corretamente a medida entre alter ego e mascarado. Pois o seu próximo trabalho nas telonas será uma adaptação de quadrinhos. Um tal de Capitão América, conhece?
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